Cerca de 2 mil pessoas participamo da marcha, que terminou em frente à prefeitura. Durante a manhã, tráfego nos principais corredores do centro foi prejudicado
O centro de São José dos Campos está lotado de manifestantes que fazem um protesto contra a desocupação Pinheirinho. O trânsito na rua 15 de Novembro foi totalmente interditado pelos marronzinhos na parte da manhã. A organização estima que 2 mil pessoas estejam participando do movimento.
Neste momento, o grupo parou o Anel Viário, em frente à Prefeitura. Carros e ônibus tiveram parar por conta da grande quantidade de pessoas. A pista mais prejudicada é a sentido Centro, zona oeste.
Desde a manhã, o motorista enfrenta um dia de caos, já que a manifestação percorreu os principais corredores viários da região central e causou reflexos nas vias paralelas às ruas e avenidas usadas pela multidão.
A avenida São José, a rua Paraibuna e a avenida João Guilhermino, foram as mais prejudicadas.
Gritando palavras de ordem, os manifestantes tentam sensibilizar os governos federal, estadual e municipal e garantir a desapropriação da área do Pinheirinho.
O PROTESTO - Por volta das 9h centenas de pessoas já estavam na praça Afonso Pena e muitos ônibus chegavam de vários cantos do país. Estão no protesto, manifestantes de Campinas, Guaratinguetá, Belo Horizonte, estudantes da USP (Universidade de São Paulo), além de ex-moradores do acampamento. A expectativa é de que o movimento reúna cerca de 4.000 pessoas.
De acordo com o Conlutas (Central Sindical e Popular), que organiza o protesto, a ação é de âmbito nacional e conta com sindicalistas do Paraná, Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul.
Filiados de partidos políticos da oposição como PSTU e PSOL também participam do ato. Os desabrigados do Pinheirinho foram convocados na última terça-feira para participar da mobilização.
“Queremos protestar contra o ataque e violência praticados contra os moradores do Pinheirinho e exigir a punição dos responsáveis pelos atos de violência”, afirmou Luiz Carlos Prates, o Mancha, secretário-geral do Sindicato dos Metalúrgicos. Segundo ele, o protesto também visa pedir a regularização do antigo acampamento para que sejam erguidas casas aos desabrigados.
Segurança. A Polícia Militar informou que acompanha toda a mobilização do começo ao fim. O número de policiais e viaturas que será empregado na ação não foi divulgado por ‘uma estratégia operacional da corporação’.
“Informações coletadas no setor de inteligência apontam que a manifestação será pacífica. Vamos acompanhar para garantir a ordem pública e a segurança dos manifestantes e das pessoas que passarem pelo local”, afirmou a capitã Jaqueline Aparecida Ferreira Pires, chefe da seção administrativa da Polícia Militar.

Manifestantes protestam contra a desocupação do Pinheirinho.
Foto: Eric Fujita/Divulgação
ÓRGÃOS PÚBLICOS
Prédios têm vigilância especial
São José dos Campos
A Prefeitura de São José destacou todo o efetivo da Guarda Civil Municipal para monitorar os prédios públicos.
A mobilização ocorre desde a desocupação do Pinheirinho e vai continuar hoje durante o protesto. São José tem cerca de 250 guardas civis.
Segundo a prefeitura, a vigilância especial aos prédios públicos não tem prazo para terminar. Durante o manifestação, os guardas poderão auxiliar a Polícia Militar com a intenção de orientar as pessoas.
Fórum.A entrada no Fórum de São José está liberada desde a última segunda-feira. O acesso ficou restrito por 19 dias apenas para advogados e funcionários. A restrição foi implantada para evitar possíveis invasões do movimento sem-teto no prédio. “Foi uma medida de segurança causada por episódios de ameaças”, afirmou o diretor do Fórum, José Loureiro Sobrinho. “Não existem mais ameaças”.
ASSEMBLEIA
PT quer CPI para apurar excessos
São José dos Campos
O PT vai protocolar hoje na Assembleia Legislativa um pedido de abertura de CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para apurar possíveis excessos cometidos pela Polícia Militar no cumprimento da ordem de reintegração de posse do Pinheirinho.
A investigação também terá como objetivo analisar se houve omissão por parte do governador Geraldo Alckmin (PSDB) antes e depois da operação policial na área.
“Vamos apurar os fatos. Tem sim responsabilidade do Estado. A ideia da CPI é ver o que poderia ter sido feito para evitar o episódio lamentável que ocorreu no Pinheirinho, inclusive com seus desdobramentos, em que pessoas ficaram em abrigos precários”, afirmou o deputado estadual Marco Aurélio (PT).
A decisão por pedir a abertura de uma CPI foi tomada ontem, em audiência pública realizada na Assembleia.
Para ser aberta, a CPI precisa de assinaturas de 32 dos 94 deputados estaduais. A oposição a Alckmin reúne, atualmente, 28 parlamentares.
Lembranças. Na audiência de ontem, muitas famílias desalojadas do Pinheirinho levaram pertences, principalmente brinquedos, como símbolos do acampamento destruído.
Em discursos calorosos, lideranças políticas criticaram a atuação da PM e os abrigos oferecidos pela Prefeitura de São José aos desalojados.
A OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e o Ministério Público participaram da audiência e prometeram apoio aos sem-teto.